Contos – Felipe Baptista

O Felipe Baptista, da Casemodder, mandou a história dele no nosso email e vai abrir a seção de Conto aqui do blog.

 

Vou tentar lembrar como e quando tudo começou e um pouco da minha trajetória através dos anos acompanhando a evolução dos games.

Pelo que me lembro, meu primeiro contato com videogames se deu ali pelo início dos anos 90. Conheci o videogame na casa de um amigo/vizinho, que tinha um Nintendo 8 bits original. Um outro vizinho possuía um Atari e um Odyssey.

 

Naquela época era comum existirem as locadoras, onde vc ia para alugar um cartucho/fita caso já tivesse um videogame, ou então para jogar, pagando por hora. Era comum ver videogames como Super Nintendo, Master System, Mega Drive, 3DO e etc.

 

Naquele tempo meus pais não tinham condições de adquirir um videogame para me dar, então a solução deles era juntar uma graninha com a ajuda dos meus irmãos mais velhos de vez em quando e alugar um videogame em uma locadora. Quando sobrava algum troco, eu costumava ir na locadora jogar uma ou duas horas por semana, ou então quando esbarrava com algum dos meus irmãos mais velhos no fliperama, ele me dava uma ou outra ficha.

 

Confesso que eu já era fascinado por jogos desde pequeno, uma vez sumi de casa durante a tarde para ir com alguns conhecidos a uma locadora nova, e como normalmente elas ficavam em casas, entrei lá e não percebi o tempo passar, quando vi já era noite, voltei pra casa e vi minha mãe desesperada achando que haviam me sequestrado, eu tinha uns 8 anos na época. Logo em seguida meus irmãos que estavam me procurando chegaram, e aquele foi o dia em que me escapei de uma bela surra hehehe.

 

Depois de muitas tardes e finais de semana jogando na casa de um amigo ou de outro, quando terminei a quarta série, minha mãe me deu de presente um Dynavision 3. Ainda lembro da sensação de ir com ela até uma loja da minha cidade, que vendia principalmente discos de vinil, e tinha lá algumas unidades do videogame.

 

O Dynavision ao qual me refiro é um videogame compatível com o nintendo 8 bits, compatível com o sistema americano/europeu e japonês de fitas/cartuchos que tinham respectivamente 64 e 72 pinos. O videogame veio um controle comum e um manche, além do jogo F1 Race. Joguei o F1 Race por muito tempo, intercalando quando sobrava uma grana, com cartucho locados.
Muito tempo passou e meus amigos obviamente evoluíram nos videogames, e eu fiquei remoendo o meu bom e velho “Nintendinho”. Como já não era mais um videogame da moda, consegui adquirir vários cartuchos por um bom preço quando as locadoras resolveram mudar o acervo para CD’s de Playstation e etc. Entre eles haviam jogos como Tiger Heli, Battletoads, Double Dragon, Ninja Gaiden, Contra, diversos Super Mario e etc.

 

Anos depois, quando fiz 16 anos, consegui comprar um Playstation em uma banca de camelô da minha cidade. Comprei o videogame com 10 jogos e 2 controles. Para a minha sorte, um dos controles apresentou defeito e eu voltei até a banca para solicitar a troca, foi então que a proprietária me comentou que isso era bem comum, já que ela não tinha tempo de testar todos os controles que encomendava. Foi então que eu achei a mina de ouro de qualquer viciado em videogames.

 

Passei a testar jogos e controles, consertando os controles quando o defeito era apenas no cabo ou conector. Menos de dois anos depois, por volta de 2004, eu já contava com aproximadamente 200 jogos em mais de 250 CD’s na minha coleção. Tinha pilhas de memory cards, controles de todas as cores, kit com volante e até tapete de dança eu tive. Depois de tantas aventuras e tantos testes, o “canhão” (unidade ótica) do playstation começou a desalinhar. Como ele era dos primeiros modelos, passei a utilizar ele de lado, como todo mundo fazia. A esta altura, com todo mundo jogando Playstation 2, já não valia mais a pena investir no conserto, que sairia caro, para o tanto de uso que eu fazia dele. Tempos depois acabei trocando o console e todos os jogos por um Nokia N-Gage. Não consegui jogos em cartão para ele, e tive de me contentar com algum jogo Java ou Symbian que eu conseguia baixar para o aparelho.

 

Depois disto, comecei a me interessar mais por computadores, onde acabei adquirindo um Pentium 133 de miléssima mão. Serviu bem para aprender algumas coisas, jogar Doom, Quake e alguns emuladores de Super Nintendo, mas nada além disso.

 

Participei mais ativamente e acompanhei mais de perto a evolução dos consoles, apesar de não ter tido todos, tive a oportunidade de jogar a grande maioria deles. Não vivenciei os corujões nas lan houses, apesar de ter tido um amigo que além de locadora de videogames, teve também uma lan house.

 

Infelizmente não participei da era de ouro dos CS, Half-Lifes, MMO’s diversos que nem sei o nome e etc. Lembro que alguns amigos jogavam Ragnarok, mas vi o jogo poucas vezes.

 

Muitos outros anos se passaram e eu comecei a trabalhar mais com computadores, onde aos poucos fui notando a necessidade de melhorar a maquina que eu usava. Um dia, já com uma placa de vídeo low-end, pensei “vou experimentar pra ver se roda”, e testei um jogo qualquer. Aos poucos fui tomando conhecimento dos jogos mais atuais e claro, fiquei fascinado novamente. Quando alguns amigos que fiz pela internet começaram a comentar sobre o lançamento do Battlefield 3, no impulso acabei comprando, mesmo com um hardware que eu sabia que não iria ser capaz de dar conta do jogo.

 

De lá para cá, a configuração do meu computador melhorou consideravelmente e eu adquiri diversos jogos, a maioria na Steam. Como me acostumei e fui criado no meio dos consoles, tenho dificuldade de entender essa “rage” que existe entre jogadores de diferentes gêneros. Claro, eu tenho afinidade com jogos do tipo ação lateral/2D pois sinto uma certa nostalgia e me remetem aos jogos que eu jogava quando criança, mas não chega a ser uma preferência. Hoje eu jogo Terraria e CS 1.6 com a minha esposa, BF3, Infestation, L4D2 com os amigos e tantos outros títulos jogo sozinho.

 

Os jogos me mantiveram e mantém em contato com a tecnologia de certa forma, e são uma parte muito legal da minha vida. É impossível olhar para trás e ver todo o tempo que passei jogando como tempo perdido, e nem de longe, foi um tempo triste, só porque passei muitas dessas horas sozinho jogando. Vivi muitas aventuras e assim como diversos outros jogadores, tenho uma certa facilidade com a língua inglesa mesmo sem nunca ter feito algum curso de idiomas. Devo isso e muitos dos amigos que tenho hoje em dia, aos jogos digitais.

 

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