A humanidade perdida de RAGE

Chegamos ao segundo Forever Alone Plays, ou simplesmente, FAP. Nessa edição o excelente (porém esquecido) RAGE é o astro e você vai entender porque ele é um dos melhores FPS com a temática pós-apocalíptica.

AVISO: Esse post pode ter “imagens fortes”. Então tenha consciência de aonde você tá se metendo.

Jogos de FPS não faltam no mercado. Tem tiro pra tudo quanto é lado e é difícil se destacar no meio de tantos. Mesmo o uso de zumbis, sci-fi ou terras devastadas passou a ser visto como “só mais um”. RAGE se passa em um planeta Terra tão devastado que a Lua nem existe mais. A parada é tensa.

Lançado em 2011, depois de quase 5 anos de produção, RAGE é uma obra prima da ID Software que une devastação, tiros e Steampunk. E claro, se tem Steampunk, tem Bethesda.

Porque é foda

Fazia tempo que um jogo FPS não me prendia. Era difícil se encontrar, escolher, entre tantas opções que por mais que fossem grandes em número eram iguais em outros aspectos importantes, como história ou jogabilidade. Então RAGE apareceu. Recheado de tensão, sangue e violência. Cara, esse jogo tem tudo que se pode querer de um FPS.

Um clima amigável

Um clima amigável

Tem arma pra todas as preferências e cada uma delas tem pelo 2 tipos de munição. Não sei se são todas que tem 4 tipos, pois faz tempo que joguei, mas lembro da existência de uma boa variedade pra cada arma. O bom dessa variedade é que dá pra encontrar diferentes jeitos de passar por um trecho especialmente difícil.

RAGE oferece uma coisa que nem todo FPS tem: Carros que atiram. E não amigo, eu não tô falando de um tanque ou um jipe com uma metralhadora. Tô me referindo a coisa mais estilo Vigilante 8: Second Offense e Twisted Metal. Os carros tem metrancas, minas, mísseis… ahhh, a destruição. Tão linda de se ver.

Mas tem que ter uma história pra possibilitar isso tudo pra acontecer. Certo?

História

Em 2004 astrônomos descobriram um asteroide GIGANTESCO rodando espaço afora. A pedrinha tem mais ou menos o tamanho da ilha de Manhattan, ou, uns 350 metros de diâmetro. Essa pequena criança causou um alvoroço porque parecia que ele tava vindo pra cá exterminar conosco. E isso iria acontecer em 2029. Batizado de 99942 Apophis o fofo, os astrônomos concluíram que ele só ia passar perto, mas sem atingir a Terra. (Nota do revisor: Só pra deixar bem claro, esse asteroide existe de verdade, corre filho).

A história de RAGE se baseia nisso. Em dezembro de 2029 o fofinho Apophis chega chegando e acerta a lua na orelha e depois vem pra cima da Terra. A lua fica um caco. Sobra 75% apenas.

Beijin na lua pro asteróide passar longe

Beijinho na lua pro asteroide passar longe (Nota do Revisor: Cacete.)

O impacto no planeta dizima 80% da população. Os que conseguiram se salvar ficam entocados no subterrâneo por décadas, já que o asteroide fez o favor de evaporar boa parte da água do planeta. Thanks, dude. Quando a galera começa a sair de suas caverninhas, uma parte ficou tão zureta e alterada pelas condições do planeta que viraram mutantes. Outros começam a se unir em facções ou cidades. Claro que as facções são compostas de gente que perdeu totalmente a noção do que é certo ou errado e pouca se importa pela vida humana. Os mais bobos que ainda são humanos tentam seguir a vidinha nas cidades Steampunks.

E aonde você, protagonista, está nessa?

Bom, quando viram que o impacto do asteroide ia ser pra valer, os governos criaram um programa chamado Ark (sempre a bíblia vira referência nessas horas) que basicamente reunia 12 sujeitos que tinham algo a oferecer pra um possível repovoamento da Terra. Essas Arks eram enterradas mais fundo que a vergonha de tomar um fora.

Claro que isso deu merda.

Você, o protagonista silencioso e sem nome Nicholas Raine (ninguém fala o nome dele em momento nenhum. Sabe quem me disse? Isso mesmo, a internet), acorda mais de 100 anos depois do impacto do asteroide, só pra ver seus bródi de arca mortos e se meter num mundo de pessoas nada amigáveis.

Facções

Ghosts

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Imagina se os Skinheads perdem a capacidade de pensar… Não, pera. Isso foi redundância. Ok, os Ghosts são caras muito parecido com Skinheads (porque são todos branquelos carecas). São ágeis e brutos, curtindo mais um embate na muqueta ou usando armas brancas, do que tiros. Eles não usam proteção de corpo pra não perder a agilidade. Então você tem um monte de infelizes de tanga te perseguindo. Os desgraçados são canibais. Sendo o primeiro clã que você enfrenta, provavelmente eles vão já te mostrar o que é a tensão e adrenalina do jogo.

Wasted

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Esses caras já são mais organizadinhos. Aqui já rola o costume de usar uma certa armadura. Tem uns jamaicanos no meio deles que certamente vão tentar te acertar com um porrete. O esquema deles é que eles são bons com mecânica e rola uma organização entre eles. O problema deles é que eles curtem uma birita. Dentro da base, você vai encontrar uma porrada de peças aleatórias de carros, naves, enfim. Além disso eles vão te apresentar o poder de uma molotov na cara. DELÍCIA. Ah, cuidado com o doido que vem querer se explodir com você. :3

Shrouded

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Pensa se os militares americanos ficassem malucos. Pensa se entre eles houvesse um cara genial o suficiente pra além de ficar maluco, criar robozinhos combatentes. Yeap, isso é o que você vai enfrentar. Ao entrar na base deles você vai experimentar pela primeira vez a be-le-zu-ra de pisar numa mina. De tomar uma granada no peito. É só delícia com esses caras. Ah, e eles tem armadura pra caramba.

Jackal

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Eu não sei como explicar esses caras. Talvez eu os devesse chamar de “Clã do Tarzan”. Pra começar a base dos infelizes é vertical. Sei lá, eles tem um treinamento militar nervoso e sempre te atacam de vários lados. É um inferno. Apesar de ter pouca armadura, os infelizes não param quietos. E antes de entrar na base deles, aprenda o significado de ter “olhos nas costas”.

Gearheads

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Se você achou os Shrouded difíceis, pense de novo. Os Gearheads tem muito mais armadura, são muito mais organizados e avançados tecnologicamente. Entrar na base desses caras é puro desespero. São só 90 tiros pra matar um infeliz desses. Ah, e leve um marshmallow, tem um cara lá com um lança-chamas que vai adorar te conhecer.

Scorchers

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São o clã do DLC. Não dá pra falar muita coisa deles. Eles tão em grande número, curtem muito um foguinho, mas ao contrário dos Wasted, eles não estão bebâdos. Então espere por caras organizados e de boa mira.

Mutantes

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Não são bem uma facção. Eles são os caras mais presentes no jogo. Como ex-humanos, o instinto deles é puramente degolar teu pescocinho. Rápidos, agressivos e em número expressivo, não devem ser confundidos com os Ghosts, porque eles não temem nem um pouco pela própria vida e não dão Loot. Balas atiradas neles são balas desperdiçadas. Acredite, você vai aprender a temer o encontro com essas gracinhas, principalmente com seus generais.

Authority

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Outros dos que estão mais presentes no jogo. Os caras da Authority representam a ditadura que se instaurou na Terra. Mais fortes, mais organizados e mais avançados tecnologicamente, os soldados da Authority são os adversários mais valorosos e inteligentes do universo de RAGE.

Resistance

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É daqui que você faz parte. Yeaaay. Os pé-rapado da vez. Saco de pancadas de todo mundo. É a história deles que dita o rumo do jogo. Claro que eles não tavam chegando em lugar nenhum até você sair do seu centenário sono de beleza.

Multiplayer

Tá teno. Olha, eu não sou um cara de Multiplayer. Pra ser honesto eu entrei no de RAGE uma vez pois seus modos me chamam muita atenção.

O modo Road Rage é a treta de carros. Puro Demolition Derby. Você e seus broders numa arena arrebentando o carro um do outro. O modo Wasteland Legends é fodão, e consiste em você e mais outro cara, fazendo histórias que você ouviu falar no modo single player. Achei isso uma ideia genial.

Agora não me perguntem se tem gente nos servidores pra jogar isso. A parada é de 2011, vai saber.

Vale a pena?

Mas é claro. Armas com variedade de munições, diferentes inimigos divididos em facções, carros que atiram. Esse jogo é tão bom que merece re-plays. E isso é muito possível, visto que ele possui uma experiência curta que dura de 9 a 15 horas.

Na verdade esse é o problema dele. Ele foi feito pra ser sucinto. Apesar de ter facções, você só enfrenta cada uma duas vezes (exceto os mutantes e a Authority pois fazem parte da história central). E isso é tristíssimo. Ao entrar nas bases, dá pra ver que cada facção tem seus próprios metódos, história e ‘cultura’. Seria fantástico que RAGE fosse um Open-World onde você pudesse passar mais tempo com cada facção, mas não é assim.

E já aviso, a história não é um primor. O fato do protagonista não dizer um ‘A’ e só lhe fazer o que pedem sem questionar nada me incomodou um pouco, mas a diversão que o jogo traz se sobrepõe a isso. (Nota do revisor: Oi Half-Life! Entendedores entenderão).

RAGE é uma experiência de primeira que vale não só uma, mas várias jogadas.

Sobre o Autor

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Anderson

23 anos. Adorador dos jogos single player, prezando por uma boa história. A variação de humor faz com que a preferência transite entre FPS, RPG e Estratégia.