Transistor: Mais que um jogo, uma obra de arte

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Durante a minha vida de gamer existiram alguns jogos que acabaram por me marcar muito, ou simplesmente me deixaram com aquela sensação de “uau, que jogo foda”. E nesse ano eu tive o prazer de adicionar mais uma bela obra de arte nessa lista. Acompanhe-me pelo mundo de Transistor e fique maravilhado.

Transistor é um jogo produzido pela Super Giant Games, os mesmos criadores de Bastion. Eu decidi comprar ele por ter ouvido falar bem do jogo, e claro, por estar com aquele belo desconto da Summer Sale. Acabei enrolando muito para começar a jogar, mas a partir do momento em que eu comecei, foi difícil parar antes de zerar.

Vocês agora devem estar se perguntando o que torna esse jogo tão especial. Bem, de uma forma MUITO resumida, a sua combinação de trilha sonora original, arte, história e mecânica de jogo são fenomenais. Mas é claro que eu não vou deixar só essa versão mastigada pra vocês, então vamos por partes. (Nota do revisor: Usem esse trecho pra mandar pro amiguinho preguiçoso que diz que não vai ler o texto).

História

A narrativa do jogo não te entrega a história logo de cara, você tem que prestar atenção nas dicas e diálogos (assim como Bastion e Half-Life) ou pode acabar perdendo algum detalhe importante.

Mas enfim, em Transistor você é a Red, uma jovem e famosa cantora da cidade de Cloudbank, eleita uma das melhores artistas de lá por cinco anos consecutivos, mas um belo dia depois de uma apresentação Red é abordada (para não dizer atacada) por um misterioso grupo conhecido como The Camerata, portadores do Transistor, uma arma falante parecida com uma espada que é capaz de absorver a consciência das pessoas com o fim de aperfeiçoar suas habilidades e Red seria a sua próxima vitima.

O Camerata acreditava que ela estaria sozinha após sua apresentação, porém no momento do ataque ela estava junto de seu companheiro e amante que partiu em sua defesa. O ataque foi evitado, mas custou a vida do rapaz, que teve a sua consciência absorvida pelo Transistor. Red saiu viva e acabou ganhando controle sobre a arma, pois um traço de sua consciência também foi parar dentro da espada, só que isso acabou deixando-a literalmente sem voz.

Red

Red

É exatamente aqui que o jogo começa, com Red encarando o seu parceiro morto. Mas então, ela escuta a voz dele saindo do Transistor. A forma como ele foi assassinado fez com que sua consciência tomasse conta da espada. Após isso Red pega o transistor e o casaco de seu finado companheiro para então partir em busca de respostas.

A narrativa do jogo inteira se passa pela voz do homem que agora vive dentro do Transistor, e logo após sair do local do assassinato a dupla descobre que os robôs responsáveis pela construção e manutenção da cidade de Cloudbank, conhecidos como Process, ficaram completamente malucos e começaram destruir tudo que encontravam pela frente, deixando somente o alicerce das construções para trás, e caso alguém ficasse no caminho deles a morte era certa. Pouco depois é descoberto que os membros do Camerata foram responsáveis por deixar o Process vida loka em modo berserker, para limpar as imperfeições da cidade e posteriormente usar o Transistor para reconstrui-la de acordo com a vontade deles.

Red e o Transistor.

Red e o Transistor.

Bom, não vou mergulhar muito na história em si depois de três paragrafos, hue para não soltar spoilers. Mas como eu falei mais cedo, ela é contada através da narrativa do Transistor que está em posse da Red, e pelos diversos terminais de notícias que você encontra no decorrer do jogo (não deixe de acessá-los!), resolvendo os mistérios desse belo mundo de forma gradual e constante.

Arte e ambientação

Cara, toda a arte do jogo foi feita pela diretora de arte da Super Giant Games, conhecida como Jen Zee.

As cutscenes de Transistor são formadas por essas artes seguidas de diálogos, e as vezes pequenas animações, o que da um certo charme ao jogo. E sinceramente? É simplesmente lindo de se ver. A cidade de Cloudbank tem um aspecto bastante futurista e seu ambiente nos faz pensar que todo esse universo na verdade está rodando dentro de um computador, é surreal!

Red observando Cloudbank.

Red observando Cloudbank.

A arte dos personagens do jogo também foi muito bem trabalhada, casando perfeitamente com o estilo meio cyberpunk de Transistor. E foi só eu quem achou os membros do Camerata com uma leve aparência mafiosa?

Os membros do Camerata

Os membros do Camerata

Nas passagens em que acontecem animações, normalmente você pode controlar um pouco o que acontece na cena, como quando a Red volta para Cloudbank em sua moto, você pode acelerar e ver um fogo saindo do escapamento e a cena acelerar mais um pouco. São esses detalhes que tornam o jogo mais bonito ainda.

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Voltando para Cloudbank

Trilha Sonora

A trilha sonora de Transistor foi criada pelo Diretor de áudio da Super Giant Games Darren Korb e o vocal ficou por conta da cantora Ashley Barrett. Foram produzidos exclusivamente mais de 60 minutos de músicas para o jogo divididos em 23 faixas e todas elas te dão uma imersão cada vez maior nesse mundo. O áudio é tão bom que as vezes da vontade de simplesmente ficar parado escutando! E a qualquer momento fora de combate também é possível fazer com que a Red cantarole as músicas que estão tocando na hora.

Capa do CD com a OST do jogo.

Capa do CD com a OST do jogo.

Quem quiser desfrutar dessas músicas, pode clicar aqui para ouvir. E caso você goste mesmo do trabalho que eles fizeram, é possível comprar as músicas em versão estendida por aproximadamente R$20,00 no mesmo link, ou no Steam.

Mecânica de jogo

Ok, agora sobre a jogabilidade em si. Por definição Transistor é um action RPG com temática Sci-Fi que mistura também alguns elementos de estratégia por turnos. Você no controle de Red possui o Transistor como arma para enfrentar os mais diversos inimigos que aparecem no decorrer do jogo. Agora o Transistor não é uma espada pelo termo convencional, mas funciona de forma semelhante a um supercomputador onde você pode salvar diversos programas que funcionam como poderes, cada qual com um dano e efeito diferente.

Esses programas, ou funções, como a frescura de vocês preferir, provêm da essência das pessoas que foram absorvidas pelo Transistor, e as habilidades que você ganha com eles variam desde o dano puro causado aos inimigos, até a alguns efeitos especiais como fazer um inimigo lutar por você, ou ficar temporariamente paralisado. Todos os programas podem ser distribuídos de três formas diferentes: Programas ativos, programas passivos ou programas alteradores.

A essência de uma pessoa preste a ser absorvida pelo Transistor.

A essência de uma pessoa preste a ser absorvida pelo Transistor.

O primeiro caso são os seus ataques principais e você pode equipar até quatro por vez, ativando eles de acordo com sua tecla designada. O segundo tipo traz algum efeito para a Red, como aumentar a vida dela, ou passivamente aumentar o dano de todos os programas ativos. Para cada programa ativo, você também pode associar um outro programa como forma de alterador e como o nome sugere, o programa secundário da algum efeito extra para o programa ativo. Tudo isso te da uma gama enorme de combinações de poderes durante o jogo, podendo alterar sua estratégia de acordo com os tipos de inimigo que você vai enfrentar.

As funções e seus efeitos.

As funções e seus efeitos.

Agora um porém. Você não pode sair simplesmente enchendo os seus slots de programas. O transistor possui tipo um limite de memória e cada programa ocupa uma quantidade de blocos diferente, então escolham bem a combinação de vocês! E também não é possível trocar as funções a todo momento, para isso você precisa encontrar um Access Point no mapa e acessá-lo. (Estão vendo as referencias a computadores? Estão em todos os lugares!)

Access Point.

Access Point

Nem todas as funções são obtidas através da absorção das pessoas (mortas) que você encontra pelo caminho. O jogo possui um sistema de níveis e a cada batalha você vai ganhando experiência para poder upar. Ao ganhar um novo nível você poderá escolher alguns upgrades que poderão ser equipados no Access Point mais próximo.

UHUL! Upei!

UHUL! Upei!

E por ultimo, mas não menos importante, lembram que eu falei que Transistor também possui elementos de estratégia em turnos? Bom, isso é porque nossa querida espada falante é capaz de congelar o tempo por alguns instantes e a partir desse momento você pode “programar” uma sequencia de ataques nos seus inimigos, se mover para longe deles, criar combos de ataques, etc. Tudo isso dentro do limite da sua barra de ações. Essa característica torna o jogo muito mais interessante e vai te tirar MUITO do sufoco, pois em alguns momentos a quantidade de inimigos na tela é enorme.

Tempo congelado

Tempo congelado

“Vale a pena?”

Cara, se todo esse texto aqui em cima onde eu falei super bem do jogo e o fato de eu achar ele um dos melhores que eu já joguei na vida não forem dicas o bastante, aqui vai uma resposta rápida e simples: Vale, e vale MUITO a pena jogar Transistor.

UPDATE: Melhor ainda, pessoas gostam de vídeos. Você gosta de vídeos, certo? Então toma um trailer.


TL;DR: Volte e leia. Ou melhor ainda, vá na página do jogo no Steam e compre-o, ou adicione na sua wishlist para comprar na próxima sale, você não vai se arrepender!

Sobre o Autor

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Daniel Costa

24 anos, graduado em Tecnologia de banco de dados, empresário, gamer desde sempre, tento ser designer mas sempre acabo fazendo programas feios (T_T), programador web, quase web designer, DBA, porteiro, jardineiro e carteiro nesse blog/page que vossa senhoria está lendo! Um mingo dupal que quase ninguém sancha mas que sempre sabe onde está sua toalha!