Binary Domain – Questione seu lado humano

E ai Steamtadores! Sejam bem vindos ao mais novo Re-View! Nessa semana nós vamos falar do Binary Domain, um jogo futurista e cheio de robôs maniacos assassinos que eu tive o prazer de jogar e zerar nesses últimos dias.

Binary Domain é um jogo que provavelmente muitos nunca ouviram falar. Admito que nem eu sabia da existência dele não fosse pela recomendação de um amigo, pois a SEGA não fez exatamente uma campanha de divulgação muito boa em cima desse game. Mas em pouco tempo eu acabei sendo fisgado pelo enredo e por tudo em que ele me fez pensar e sentei por horas a fio só para poder ver o desfecho da história, só pra acabar recebendo cada vez mais reviravoltas que me deixaram com uma cara de “PQP” e aquela sensação de que mais pessoas deveriam jogar isso. Enfim, sentem-se ai que o tio Mauker vai contar uma historinha pra vocês. Eba!!!

“Era uma vez…”

O ano é 2080 e como a maior parte das ficções que se passam no futuro, o planeta Terra se fudeu está consideravelmente destruído. O aquecimento global finalmente mostrou suas garrinhas e fez as marés subirem bagarai muito, matando milhões de pessoas no processo, além de tornar boa parte das cidades completamente inabitáveis. Agora pensem, sobreviveu apenas uma parcela da humanidade e essa galera precisava reconstruir suas cidades para voltar a ter uma vida como eles conheciam anterior a catástrofe, porém… Porra, não tinham muitas pessoas vivas para fazer esse trabalho todo… A solução? Robôs! Os seres humanos investiram muito de sua pesquisa para criar máquinas que pudessem auxiliar na reconstrução das cidades e no meio dessa bagaça toda, uma empresa se destacou muito. A americana Bergen virou uma gigantesca empresa de robótica e praticamente reergueu o mundo sozinha com as suas máquinas revolucionárias, que agora já faziam parte do dia a dia de todos. E enfim, os humanos poderiam respirar aliviados novamente.

Bergen

Bergen

Mas parece que a salvadora da humanidade não é tão boazinha assim… (Nota do revisor: Porque sempre as grandes companhias são malévolas?) É,  A Bergen logo é acusada de roubar tecnologia japonesa, mais especificamente da empresa “Amada”. Porém, como faltaram provas e a corporação americana já havia se tornado grande demais, o processo não foi para frente.

Amada Corporation

Amada Corporation

“Ok Mauker, muito bonito isso ai. Onde é que nós entramos essa história?”

Calma que eu estou chegando lá!

Enfim, como eu havia dito, os robôs se tornaram estupidamente avançados, tão sofisticados que os humanos passaram a temê-los. Afinal eles estavam superando seus “mestres” em praticamente tudo. E por conta desse medo, foi realizada uma convenção em Geneva para proibir os estudos e a criação de robôs que pudessem pensar ou se parecer com seres humanos e tal evento ficou conhecido como “Nova convenção de Geneva”. Ok, originalidade com o nome não foi o ponto forte aqui…  Mas de qualquer forma, só assinar um pedaço de papel não iria fazer ninguém cumprir com os termos então foi criada a IRTA (International Robotics Technology Association), uma entidade multinacional que possui diversas forças-tarefa conhecidas como “Rust Crew”, que significa algo como “Grupo da ferrugem”, para investigar e agir contra possíveis quebras das clausulas da nova convenção de Geneva.

Guarde essa informação.

Terminator Feelings

Terminator Feelings

Alguns anos depois, na sede da Bergen, acontece um escândalo envolvendo um homem armado que queria matar o atual dono da empresa, mas pouco antes dele ser detido, esse rapaz literalmente arranca a própria face e por baixo da pele e dos músculos se revelou… um robô! Sim, um esqueleto robótico por debaixo de pele humana! Exatamente o que havia sido proibido na convenção de Geneva. E para piorar, o jovem sem face não parecia estar ciente de que ele não era de fato um humano até aquele terrível dia! Tais seres ficaram conhecidos como “Hollow Children”, ou “Crianças vazias”, após esse acontecimento.

Hollow Children

Hollow Children

O mundo inteiro ficou abalado com esse acontecimento e a Bergen logo se posicionou dizendo que não tinha a tecnologia para criar tal humanoide e se eles não conseguiam fazer isso, só restou um possível culpado na historia… Sim, a corporação Amada. Então a IRTA aciona uma Rust Crew para entrar no Japão para discretamente procurar provas e trazer o CEO da empresa para interrogatórios. Só existe um pequeno problema nisso… O Japão havia fechado suas fronteiras após conseguir auto-suficiência com o advento da robótica e não existia outra forma de entrar lá que não fosse ilegalmente.

Bom, enfim, a IRTA não ia ficar sem fazer nada somente por esse pequeno detalhe e acaba enviando uma equipe para a terra nipônica. E é ai meu caro Steamtador, que você entra. John Shepard Dan Marshall será o seu nome nessa aventura e você fará parte dessa operação no país do sol nascente com outros soldados da IRTA.

Dan Marshall e sua leve inspiração em Mass Effect

Dan Marshall e sua leve inspiração em Mass Effect

“Ok, entendi! Agora como funciona o jogo?”

Que bom que perguntaram!

Binary Domain é um TPS com um toque ou outro de RPG, estilo Mass Effect, e que possui uma campanha inteiramente Single Player. A mecânica do jogo não é muito complicada, logo no inicio você passa por um rápido tutorial com a ajuda do seu parceiro Boateng (Bo para os mais íntimos), onde os controles básicos são apresentados. Resumindo, você aprende a andar, atirar, trocar de arma, recarregar e correr, só coisa fina. Um pouco mais pra frente é apresentado um recurso interessante, o controle por voz. Apesar do jogo ser para uma pessoa, o seu personagem quase nunca estará sozinho nessa missão e cabe a você coordenar a sua equipe para atingir os seus objetivos e tudo isso pode ser feito através de um microfone! Claro, os comandos meio que se resumem a pedir cobertura, bater em retirada ou atirar loucamente, mas o recurso ainda é muito interessante. E caso você não tenha um microfone, ou simplesmente não queira parecer um louco falando sozinho com o computador, existem algumas respostas pré-definidas que são ativadas com alguns botões do seu teclado ou controle.

Respostas pré-definidas

Respostas pré-definidas

Agora não pensem que é simples assim mandar nos seus companheiros! Binary Domain possui um sistema de confiança, onde dependendo de como você agir no decorrer do jogo, os outros membros da equipe vão confiar mais ou menos em você e nem preciso dizer que é preciso confiança pra acatar as ordens, certo? Certo. Tal confiança pode ser conquistada, ou perdida, de várias formas; Por exemplo, se você for muito foda durante as lutas, terminar elas rápido sem se machucar muito e impressionar seus comparsas, a confiança sobe, agora se você for tão útil em uma luta quanto peso de papel e deixar a sua equipe fazer o trabalho sujo sozinha, bem… Eles vão te odiar por isso. E em alguns momentos do jogo, vão rolar umas conversas em que você deverá falar com os seus companheiros, seja pelo microfone ou pelas respostas pré-definidas e dependendo da resposta eles poderão confiar mais em você ou te odiar mais ainda.

Tela de seleção de equipe

Tela de seleção de equipe

Combate

Ok, chega de história, vamos falar da carnificina! Não, pera… Se são robôs, como eu devo chamar? Metalficina? Enfim, deixa isso pra lá.

O jogo te apresenta uma variedade de armas, indo de pistolas a lança-mísseis e rifles de assalto, mas você sempre vai ficar preso ao seu rifle principal, uma pistola, um tipo de explosivo e uma arma secundária da sua escolha. Jogue com a combinação que mais te agradar.

Quanto aos inimigos, preparem-se para dar de cara com hordas de robôs que querem arrancar um pedaço seu e eles virão em diversos formatos e tamanhos. Os chefes principalmente costumam ser gigantescos! E aqui entra uma característica bem legal desse jogo. A cada tiro que você dá, o robô vai perdendo pequenos pedaços do corpo dele, dando aquela sensação de que se está realmente causando dano na máquina.

ROBOTS!

ROBOTS!

Ah… Cuidado onde você pisa! Alguns robôs nem sempre estão exatamente mortos…

Sai de mim velho!

Sai de mim velho!

E as batalhas contra os chefes? Cara, elas são boas e chegam até a ser desafiadoras! Normalmente você vai enfrentar algum robô gigantesco que demora pra caramba pra morrer e que pode te matar num piscar de olhos.

Uma dica: Procure os pontos fracos, normalmente eles vão estar brilhando deixando de alguma parte da armadura do chefe. E sempre, sério, SEMPRE procure por cobertura.

Um dos vários, e pequenos chefes de Binary Domain

Um dos vários e pequenos, chefes de Binary Domain

Multiplayer

Rá! Pegadinha do malandro! Eu falei ali em cima que a campanha era inteiramente Single Player, mas o jogo tem sim um modo para vários jogadores, só que eles se resumem basicamente em partidas no estilo rouba bandeira e “mata mata”. Não tem nada que se destaque muito aqui, então vamos seguir em frente.

“Foda! Agora o que torna esse jogo tão legal assim?”

Bom, primeiro que é estupidamente divertido sair destruindo os robôs no decorrer da campanha. E além disso, a história do jogo toca em pontos que te colocam pra pensar…

E se chegarmos em uma época onde os robôs vão ser tão avançados quanto o dessa história, ou de outras como Matrix e O Exterminador do Futuro? A raça humana deixará de existir? Iremos convergir e perder parte da nossa humanidade para virar ciborgues? Como vamos diferenciar o que é humano e o que é máquina? E se algum dia existir um robô tão avançado que não será possível distinguir ele de um humano, nem mesmo fisicamente, estaríamos nós brincando de Deus? Pros que acreditam, os robôs teriam alma, ou seriam meras máquinas?

Essas são só algumas das perguntas que podem ser levantadas com o enredo de Binary Domain e quem jogar verá que perto do final existe uma reviravolta tão fodida louca que vai dividir as opiniões dentro da sua equipe, e possivelmente entre os jogadores também. Não vou comentar muito sobre isso porque seria um puta spoiler.

“Mas meu PC não roda o jogo!”

Não é desculpa! O jogo também está disponível para Xbox 360 e PS3. E você sempre pode ir na casa do vizinho pedir pra usar o PC dele para fazer um… trabalho da faculdade.


TL;DR.: Binary Domain é um jogo foda, levanta questões que não estão tão distantes da nossa realidade, possui um bom e divertido sistema de combate e com certeza merece ser jogado!

Se alguém aqui já jogou, deixe sua experiência ai nos comentários! Se não, separe uns trocados e compre o jogo, vale a pena! O link do Steam é esse aqui.

And that’s all folks. Até o próximo Re-View!

Sobre o Autor

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Daniel Costa

24 anos, graduado em Tecnologia de banco de dados, empresário, gamer desde sempre, tento ser designer mas sempre acabo fazendo programas feios (T_T), programador web, quase web designer, DBA, porteiro, jardineiro e carteiro nesse blog/page que vossa senhoria está lendo! Um mingo dupal que quase ninguém sancha mas que sempre sabe onde está sua toalha!